O Homem  mais Rico da Babilónia

George S. Clason

Editorial Presença

Numa lógica de crescimento coletivo e de gestão das finanças pessoais, aconselho a leitura do livro “O Homem mais Rico da Babilónia” de George Clason, a todos os profissionais que atuam na mediação imobiliária.

Nesta atividade e, sujeitos a oscilações de remuneração mensal, emerge a necessidade de uma eficaz gestão dos recursos, muitas vezes por serem impelidos para grandes investimentos. Assim, a leitura deste livro pode ser uma mais valia a cada um dos leitores, onde a riqueza e a estabilidade económica não se alcançam apenas pelo somatório das transações realizadas, mas sobretudo, pela boa gestão dos recursos económicos alcançados com cada um desses negócios.

O livro é entusiasmante e remete-nos para a antiga Babilónia, onde se verificavam as melhores práticas para lidar com o dinheiro e com elas criar riqueza.

De fácil leitura, as apenas 125 páginas deste livro podem bem ser uma viagem entusiasmante pelas suas parábolas que nos remetem para uma encantadora história de um homem que queria tornar-se rico e o conseguiu, tendo sido posteriormente convidado pelo Rei para contar as suas práticas. “As cinco leis do ouro”, como lhe chama, são grandes ensinamentos intemporais que serão úteis a todos aqueles que queiram tornar-se ricos com base nos segredos nele escondidos.

Sem dúvida que os ensinamentos deste livro podem aparentemente parecer de difícil aplicação prática, contudo, e como bem se pode ler no mesmo, a predisposição para o investimento aumenta com o rendimento, sendo esta uma tendência que temos que controlar, visto não ser benéfico gastar mais do que se ganha.

É sabido que a Babilónia foi, há seis mil anos, um povo sem grandes recursos naturais, pelo que a riqueza proveio da ação de cada pessoa na tomada de decisão de pequenas práticas que, de forma sistematizada e, cumprindo um conjunto de ações ilustradas no livro, os conduziu a uma vida estável, próspera, segura e com muita estabilidade económica.

Não se trata de uma fórmula mágica de conseguir dinheiro rápido, pelo contrário, ensina a forma gradual de se enriquecer com pequenas poupanças mensais, seguindo um conjunto de regras básicas.

O segredo seria criar poupança e com isso conseguir multiplicar o dinheiro colocando-o a “trabalhar para o seu dono”!

Outra das passagens que melhor lembro é a necessidade de trabalhar para poder pagarmos a nós mesmos! Sem dúvida que aquilo que muitos fazem é apenas trabalhar para pagar as contas mensais e as responsabilidades acumuladas, contudo, isto não é de modo algum interessante e motivante para quem tem que manter os níveis de energia em alta, como são os profissionais da mediação imobiliária.

Ninguém será realmente feliz somente a pagar as suas contas. É de destacar que o livro nos realça a necessidade de retirarmos mensalmente uma quantia que realmente seja para nós mesmos, para fazer aquilo que gostamos. Não se trata de comprar nada em concreto – isso pode ser feito por via das necessidades. Trata-se de nos remunerarmos a nós mesmos pelo trabalho feito e para que tenhamos vontade de trabalhar cada vez mais. Por isso, o primeiro dinheiro a ser retirado da nossa remuneração mensal é para nós mesmos e somente depois para pagar as contas… (ideia contrária aquilo que geralmente associamos como sendo o mais acertado).

Para melhor compreensão apresento as principais 7 soluções que o livro nos deixa para resolver o problema das “carteiras vazias”:

1-    Retire sempre 10% do que ganha. Em cada dez moedas que ganhe, gaste apenas nove e essa quantia é para se pagar a si próprio. Devemos por isso dizer diariamente em voz interior: “Uma parte de tudo o que ganho é exclusivamente minha”. 

2-    Aprenda a gastar menos do que pode ganhar. Faça um orçamento dos seus gastos mensais, que cubram todas as suas necessidades. Distinga a necessidade do desejo. Nem sempre o que pretende adquirir é uma necessidade e o conduz à felicidade;

3-    Não faça investimentos precipitados sem ser devidamente aconselhado por um sábio dessa matéria, cuja competência derive da sua própria experiência;

O dinheiro economizado deve ser multiplicado. O dinheiro deve ser aplicado em investimentos que gerem lucro e produtividade, contudo o retorno pequeno e seguro é mais desejável do que o risco. A ideia subjacente é: “Colocar o ouro a trabalhar para o seu dono”.

4-    Guarde o dinheiro num local seguro e que traga lucro. Nunca se deve investir em nada que não garanta a salvaguarda do capital inicial. Pode fazer investimentos em imóveis especificamente para esse fim. Esses, se forem bem escolhidos, a longo prazo, não perderão o seu valor, pelo que os seus rendimentos gerados ou mesmo a sua venda poderão servir para esse propósito;

5-    Tenha a sua própria casa, não pague renda. Ser dono do próprio lar, enche os homens de confiança e orgulho e dará mais ânimo para futuros empreendimentos;

6-    Planeie o seu futuro, fazendo um plano financeiro, para os anos que virão,  quando já não estiver a trabalhar ou quando a sua família já não possa contar consigo para seu sustento. Sugerem-se Investimentos imobiliários, PPR e seguros;

7-    Ao longo da sua vida faça aquilo que realmente gosta e no que realmente é bom e aumente o seu conhecimento e sabedoria para que possa ganhar cada vez mais dinheiro e de modo a que possa respeitar-se a si próprio.

Em tom de despedida, não posso ainda deixar de referir algo que recordo a cada dia – A deusa da boa sorte favorece os homens de ação. Por isso devemos sempre aproveitar as oportunidades que nos surgem, abraçando o sucesso e, dominando totalmente o espirito de procrastinação que eventualmente possamos carregar dentro de nós.

Finalizando, reitero que “há um poder mágico na força dos vossos próprios desejos. Guiem esse poder com o conhecimento das cinco leis do ouro e ser-vos-á dada uma parte dos tesouros da Babilónia”. 

O mercado parece estar a dar sinais da sua chegada.

Vítor Neves

Publicado na Revista CRS Março 2017

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